domingo, 16 de novembro de 2008

ESCOLA ESPECIAL: ESPAÇO DE INCLUSÃO

As Escolas Municipais Especiais de Ensino Fundamental de Porto Alegre Eliseu Paglioly, Ligia Averbuck, Tristão Sucupira Viana e Lucena Borges atendem crianças e adolescentes, com as idades entre 0 e 21 anos, que apresentam deficiência mental, paralisia cerebral, deficiências múltiplas, transtorno global do desenvolvimento (autismo e psicose) com deficiências associadas.
Oferecem Educação Básica conforme a organização curricular da rede municipal de Ensino com a Educação Infantil nas modalidades de Educação Precoce (0 a 3 anos de idade), Psicopedagogia Inicial (3 a 6 anos de idade) e Ensino Fundamental com I, II, III Ciclos (dos 7 aos 21 anos), consideradas as especificidades relacionadas às idades e ao desenvolvimento. Aos alunos do 3º ciclo também é oferecido o Programa de Trabalho Educativo (PTE), com objetivo de realizar a inclusão em espaços de trabalho públicos e privados.As escolas acompanham as discussões, as transformações propostas pela Secretaria Municipal de Educação (Smed), possuem Projeto Político-Pedagógico, Regimento Escolar, diretores eleitos, Conselho Escolar, gerenciamento financeiro.
Têm como equipe de trabalho professores e monitores para atendimento aos alunos. Constituem-se como espaços escolares com projetos que viabilizam a inclusão educacional, cultural e social de seus alunos.Duas das escolas especiais oferecem espaços e projetos abertos à participação de alunos das escolas regulares. São importantes aprendizagens acontecendo dentro da escola especial, onde (re)inventamos caminhos, inovamos e ainda mostramos o resultado dessas produções no contexto cultural e social, seja pelo teatro, seja por meio das exposições dos trabalhos de artes realizadas na cidade, numa perspectiva de transformação dos pré-conceitos do senso comum, rompendo a lógica de que na escola especial pouco se ensina ou se aprende. Os projetos já vêm apontando resultados muito positivos e reconhecidos pelas comunidades escolares há muitos anos.
As quatro escolas especiais, juntamente com as Assessorias de Inclusão da Smed, de Educação Precoce e de Psicopedagogia Inicial, vêm construindo caminhos diferenciados para a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais, criando alternativas conjuntas que possibilitem o acesso à permanência na Educação Infantil, na escola regular ou especial, com atendimentos de qualidade aos alunos, com respeito às diferenças e às necessidades.

PATRÍCIA ZILLMER especialista em Transtorno do Desenvolvimento e professora da EMEEF Lucena Borges
Fonte: Correio do Povo - 15/11/2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O heróico trabalho da Apae, José Fortunatti*

Durante séculos, os portadores de deficiência de qualquer natureza foram fortemente discriminados pela sociedade. Em especial, os portadores da síndrome de Down e todos os portadores de alguma deficiência intelectual ou múltipla.
Felizmente, apesar de toda a negligência e ineficiência do poder público, a sociedade civil começa a se organizar para promover e articular ações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência na perspectiva da inclusão social dessas crianças e adolescentes.
As Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) começam a mostrar "a cara" a partir de 1954, cumprindo com um papel no qual o Estado se mostrava absolutamente omisso. De lá para cá, muita coisa mudou. Nestes 54 anos de existência, as Apaes conseguiram mostrar para a sociedade o valor das crianças e adolescentes portadores de alguma deficiência intelectual ou múltipla, fazendo com que as próprias famílias deixassem de se "envergonhar" de algum filho nessa situação.
Na condição de secretário estadual da Educação, aprofundei as minhas relações com o trabalho desenvolvido pelas Apaes e me apaixonei pelo trabalho educacional realizado por estas instituições. Fico perplexo com a insistência do próprio Ministério da Educação, que, em nome de um processo de inclusão educacional (que todos desejamos), simplesmente deseja fechar as escolas das Apaes.
Sempre fui um ferrenho defensor da inclusão educacional das crianças portadoras de qualquer deficiência nas escolas regulares, mas o pressuposto é que essas escolas tenham plenas condições de abrigar as crianças com professores capacitados para a tarefa, com a utilização de material pedagógico adequado, com a preparação dos colegas de turma e com um sólido trabalho realizado com os familiares dos alunos.
Caso contrário, na base do "tudo ou nada" como parece desejar o MEC, o "processo de inclusão" propost o pelo Ministério vai aumentar o fosso entre os alunos portadores de alguma deficiência intelectual e os demais alunos. Ao invés de um processo verdadeiro de inclusão, isso ocasionaria uma maior rejeição, discriminação e aumento do preconceito com os alunos portadores da deficiência.
Espero que o MEC ouça quem nos últimos 54 anos tratou com muito amor e dedicação desta questão e não se deixe levar por "novos teóricos" da inclusão, que com a única vivência acadêmica desejam "revolucionar" o setor.
Espero que amanhã, quando a Apae de Porto Alegre realiza a Caminhada Solidária, todos estejamos juntos para continuarmos construindo esta maravilhosa solidariedade para com estas queridas, fantásticas e amorosas crianças portadoras de deficiência intelectual.
*Secretário municipal de Planejamento e vice-prefeito eleito de Porto Alegre.
Fonte: Zero Hora - 14/11/2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Curso de Capacitação de Professores em Educação Especial: Deficiência Visual

Objetivo: Capacitar professores para atender as especificidades dos alunos com deficiência visual na educação básica.
Local: UNILASALLE Canoas: av. Vitor Barreto, 2288 - Canoas -
Fones: 3476.8738 (extensão)
E-mail para maiores informações: clb@faders.rs.gov.br zenilde@unilasalee.edu.br
Carga Horária: 360 horasPrevisão de início: 03/04/2009
Previsão de Término: julho/2010
Público alvo: Professores da Rede Pública e Privada, estudantes da graduação em educação e ou/magistério (ensino médio).
Dias e horário das aulas: sextas-feiras - 19h às 22h e sábados - 8h30m às 12h - 13h às 14h30m.
Obs: È necessário realizar a pré-inscrição para que o curso se efetive. A realização do Curso está condicionada ao número de inscrições. A confirmação da inscrição ocorrerá posteriormente através dos dados fornecidos pelo interessado. Pré-inscrições no Portal de Acessibilidade da Faders http://www.portaldeacessibilidade.rs.gov.br/

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

sábado, 25 de outubro de 2008

ALFABETIZAR: UM PROCESSO "SOFRIDO" E GRATIFICANTE


O educador necessita estar em constante busca de recursos e fundamentação para manter seus alunos entusiasmados pela aprendizagem, pela leitura e escrita, pela inclusão no mundo letrado sem perder de vista suas necessidades e possibilidades, seus interesses e sua vida íntima, remetendo-os a uma atitude reflexiva que transmita segurança nas aquisições, sem deixá-los acomodados, buscando a cada patamar adquirido, desestabilizá-los para aquisição de novas conquistas.
Para alunos com necessidades especiais a possibilidade de ler é conquistada com muito empenho e dedicação dos profissionais que lidam com esse foco, pois exige contrapor todas impossibilidades que durante 10 ou 12 anos conviviam diariamente com eles e com o entorno familiar e relacional. O processo é sofrido para ambos, aluno e educador. Muitos mitos devem ser derrubados, as estruturas precisam ser revitalizadas, a crença na possibilidade, em muitos casos, deve ser maior que a efetiva possibilidade.
O primeiro passo para um aluno ler é acreditar.
Isso desloca as atenções da impossibilidade ou grande dificuldade do aluno para a criação de uma estrutura de trabalho, para uma vinculação, para criação de um ambiente de segurança e confiança que possibilitem aquisições. O que deve ser adaptado, recriado, estudado, é o modo de propor e exigir. Quando detectado que o problema é o jeito de ensinar, o que se ensina e como se ensina, liberamos o aluno para crescer e adquirir informação suficiente para ler o mundo através, também das letras.
A busca deste "método", deste jeito de fazer exige dedicação, pesquisa e gosto pelo fazer.
Gosto pelo crescimento do outro.
Gozo pela conquista do aluno, pois isso significa dar dignidade a um cidadão, propiciar a caminhada em busca da autonomia. Significa inserir um sujeito no mundo das possibilidades e, mais do que isso, inclui um indivíduo na estrutura familiar como efetivamente um sujeito que sente, pensa, se expressa e participa do mundo sem necessitar interprétes ou representantes.
Rejane Guariglia da Silva
Psicopedagoga

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

14% da população tem deficiência

Porto Alegre tem 14,3% da população – 194.531 pessoas – com algum tipo de deficiência, sendo que a visual registra a maior incidência (8,55%). A região com maior número foi a Restinga (16,91%). A menor ficou na zona Nordeste, com 8,21%. As informações relativas aos portadoras de deficiência na Capital foram analisados e debatidos em um encontro realizado na Secretaria Municipal da Administração, que reuniu pesquisadores, representantes de entidades e dos conselhos municipais.

Os dados foram tabulados pela Gerência de Informações da Secretaria Municipal de Coordenação Política e Governança Local (SMGL), com base no Censo 2000 do IBGE. Essa foi a primeira reunião do Projeto Democratizando Informações, do Observatório da Cidade de Porto Alegre (ObservaPoA). Os números estão disponíveis no site www.observapoa.com.br.

A técnica da Gerência de Informações da SMGL Adriana Furtado salientou que os números da Capital gaúcha são semelhantes aos do restante do país, que registra 14,48% de pessoas com alguma deficiência. 'O objetivo do ObservaPoA é mostrar que existem várias pequenas cidades dentro de Porto Alegre e que os dados sirvam para a cobrança de políticas públicas para determinada região', afirmou Adriana.

O titular da Secretaria Especial de Acessibilidade e Inclusão Social (Seacis), Tarcízio Cardoso, observou que desde a criação da Pasta, em 2005, está se buscando intensificar iniciativas voltadas ao bem-estar das pessoas portadoras de deficiência. 'Os dados do Censo 2000 estão defasados. Por isso, criamos um programa que pretende quantificar e localizar as pessoas com deficiência na Capital.' Segundo ele, o objetivo é criar projetos com a iniciativa privada e entidades do terceiro setor.

Em dezembro, será realizado o segundo painel, com o tema trabalho, a partir da Pesquisa de Emprego e Desemprego. Também em dezembro, haverá o Seminário do Atlas de Desenvolvimento Humano (IDH) da Região Metropolitana, que inclui o IDH de 163 áreas de Porto Alegre.

Fonte: CORREIO DO POVO - QUINTA-FEIRA, 23 DE OUTUBRO DE 2008

sábado, 18 de outubro de 2008

Música estimula a inteligência

Várias pesquisas indicam que crianças com educação musical desenvolvem maior aptidão mental
São muitos os estudos que provam que a música é um estímulo muito valioso ao desenvolvimento da criança. Segundo o coordenador do Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil da Universidade Federal de São Paulo, Mauro Muszkat, 'ela interfere na plasticidade cerebral, de modo que há diferenças entre o cérebro de um músico e de um não-músico. Favorece a rede de conexões entre os neurônios na parte frontal do cérebro, o que tem relação com os processos de memorização e atenção. Por estimular a comunicação entre os dois lados do cérebro, também está relacionada com as habilidades como o raciocínio e a matemática', afirma o especialista.

Cada tipo de som exerceria influência em determinada área cerebral. A música básica, rítmica, relaciona-se com a porção anterior. O som melódico age nas áreas temporais e a música com contrastes e efeitos influencia áreas associativas. Músicas mais lógicas, como as de Mozart, estimulam a resolução de problemas espaciais. Não há um efeito único, mas em geral a música modifica a atividade elétrica do cérebro, potencializando várias áreas.
Já a Universidade de Hong Kong realizou pesquisa com 90 meninos e meninas, entre 6 e 15 anos. Metade dos avaliados integrava a orquestra da escola e aprendia a tocar um instrumento, enquanto a outra metade não tinha formação musical. Cinco anos depois, constatou-se que as crianças que participaram da atividade musical mostraram mais capacidade de memorização de palavras. Segundo os estudiosos, fazer escalas ao piano, por exemplo, desenvolve o lado esquerdo do cérebro, local de concentração da memória verbal e das aptidões musicais. Na Universidade da Califórnia em Irvine, dois grupos de crianças foram estudados; um deles teve lições de piano e cantava no coro diariamente. Após oito meses, as crianças musicadas eram experts no domínio de quebra-cabeças, atingindo desempenho 80% superior aos colegas em inteligência espacial.
Depois da sanção da lei 11.769, que torna obrigatória a inclusão da disciplina música no ensino fundamental e médio das redes públicas e particulares no Brasil, começou a ser debatido como esse ensino se dará quanto à capacitação de professores, infra-estrutura de escolas públicas, material didático e plano de aula. O conselheiro da Abemúsica Marcelo Aziz considera a aprovação da lei um avanço significativo no campo das artes. 'Acredito que haverá o aumento do interesse pela música. A linguagem musical sempre esteve presente na vida dos seres humanos, fazendo parte da educação de crianças e adultos. Na Grécia, era considerada fundamental na formação, assim como filosofia e matemática', conclui.
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2008
Fonte: Correio

APAES: DE MÃOS DADAS COM A INCLUSÃO

Inclusão social. Um novo paradigma? Alguns anos atrás, quem seria capaz de imaginar que a luta em defesa das pessoas com deficiência seria amplamente anunciada? Talvez um louco ou um idealista. Hoje, felizmente, o nosso olhar vislumbra o ser, com suas diferenças e potencialidades, com seu tempo e maturação. E mais do que ninguém, os apaeanos sabem disso, desejam a inclusão social e, quiçá um dia, que todos estejam incluídos como cidadãos.A Federação das
Associações de Pais de Amigos dos Excepcionais do RS (Apaes) é filiada à Federação Nacional das Apaes, instituição filantrópica fundada em 1954. Atualmente, congrega 205 Apaes redistribuídas em 22 Conselhos Regionais, que prestam atendimento a 454 municípios do seu entorno, atendendo aproximadamente 18 mil alunos com deficiência mental no Rio Grande do Sul. Nosso atendimento busca garantir às pessoas com deficiência mental uma Educação inclusiva, dentro de um processo de desenvolvimento institucional da escola e do sujeito com oportunidades para trabalhar a cidadania, a diversidade e o aprendizado.Além do atendimento pedagógico, as Apaes ainda oferecem políticas de saúde, assistência social, trabalho, esporte, lazer e informática.
A missão do movimento apaeano é, assim, promover e articular ações de defesa de direitos, prevenção, orientações, prestação de serviços e apoio à família direcionados à melhoria da qualidade de vida da pessoa portadora de deficiência e à construção de uma sociedade justa e solidária.Mas almejamos que essa inclusão seja realizada no verdadeiro sentido da palavra.
Ato ou efeito de incluir-se, envolver, fazer parte. Queremos que nossos alunos freqüentem a escola comum, porque estarão aptos a continuar paralelamente aos demais colegas da turma; que sejam bem recebidos por uma escola acessível e com professores capacitados. Desejamos tudo isso que hoje oferecemos nas nossas escolas reconhecidas e autorizadas. E é o livre-arbítrio da família que deverá, de forma consciente, eleger a melhor escola. Enquanto isso, continuamos fazendo bem-feita a nossa parte. Educação digna para todos!
Aracy Maria da Silva Lêdo Presidente da Federação das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais do RS
Fonte: Correio do Povo - 18/10/2008

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Down na terceira idade


As pessoas com a síndrome estão vivendo mais.
Quem vai cuidar desses velhinhos?


Meio século atrás, pessoas com síndrome de Down raramente sobreviviam além da adolescência. Essa situação mudou inteiramente. A expectativa de vida delas saltou para 56 anos, e já não causam surpresa aquelas que ultrapassam os 60 ou mesmo os 70 anos. Vários fatores contribuíram para que isso acontecesse – a assistência médica específica e mais eficiente, maior oportunidade de convívio social, o acesso à escola e ao mercado de trabalho são os principais. Isso tudo formou uma geração de indivíduos que nasceram com Down e estão chegando à terceira idade. Trata-se de inesperado desafio. Como lhes proporcionar os cuidados de que necessitam na velhice? Quando chegam a essa fase da vida, seus pais, as pessoas que geralmente davam atenção a eles desde pequenos, ou estão muito velhos ou morreram. "No passado, os médicos diziam para os pais não se preocuparem, porque os problemas físicos nunca deixariam pessoas com Down chegar à idade adulta", diz Jô Clemente, uma das fundadoras da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), de São Paulo. "A situação agora é completamente outra."

Estima-se em 300.000 o número de brasileiros com Down. A síndrome ocorre quando o cromossomo 21, em lugar de ser formado pelo par normal, ganha um terceiro elemento. Os sinais exteriores da alteração genética são perfeitamente visíveis. Os olhos amendoados e o rosto arredondado lembram vagamente traços orientais. Os músculos são flácidos, o que dificulta a fala e aumenta a possibilidade de quedas. O metabolismo mais lento favorece a obesidade. O desenvolvimento intelectual é comprometido em grau variado. Problemas nos órgãos internos e no sistema imunológico também são freqüentes e exigem atenção médica (veja o quadro abaixo).

Muitos desses problemas podem ser minorados com o atendimento adequado. Em centros especializados e nas mais de 2.000 Apaes espalhadas pelo Brasil (quase uma para cada dois municípios), fonoaudiólogos treinam a fala, fisioterapeutas ensinam exercícios para fortalecer a musculatura e terapeutas estimulam o desenvolvimento cognitivo com brincadeiras e atividades. Poucas dessas pessoas com Down que hoje têm mais de 60 anos foram diretamente beneficiadas por essa estrutura de apoio, criada sobretudo nas últimas duas décadas. Alcançaram a terceira idade em grande parte graças ao esforço dos pais e familiares para incluí-las no convívio familiar e na sociedade.


A paulistana Danimira Antonia Ursich, de 61 anos, freqüenta a Apae desde 1990. Lá pratica tapeçaria e outros tipos de artesanato. Filha de eslovenos, conversa com fluência na língua que aprendeu com os pais. O português ela praticou com os irmãos. "Ela sempre foi incluída em todas as atividades da família. Foi uma orientação intuitiva dos pais na época", diz a irmã Mileni Ursich, médica de 69 anos, que a acolheu em casa. Quando pequena, Danimira foi alfabetizada numa escola para crianças com deficiência mental mantida por um grupo de médicos no quintal de uma casa. "Os principais responsáveis pela melhoria observada nas pessoas com síndrome de Down foram os familiares, que exigiram e forçaram os profissionais de saúde a se preparar para lidar com seus filhos", diz o médico geneticista e pediatra Zan Mustacchi, do Centro de Estudos e Pesquisas Clínicas de São Paulo.

O novo desafio dos pais agora é planejar a velhice dos filhos com Down. Os especialistas aconselham a treinar o deficiente para uma vida com autonomia. Isso significa ensinar a realizar sem ajuda tarefas do cotidiano, como fazer compras no supermercado, usar o sistema de transporte público e cozinhar. Um curso profissional pode prepará-lo para o trabalho. Um indivíduo com síndrome de Down pode perfeitamente fazer trabalhos repetitivos em linha de montagem ou ser assistente de portaria. Embora nunca se possa prever o grau de inteligência que uma pessoa com Down atingirá, a maioria é capaz de realizar as atividades domésticas sem supervisão. Outros conseguem avanços maiores. No Brasil, atualmente há cinco pessoas com Down freqüentando a universidade.

Na terceira idade, todas essas habilidades começam a ser prejudicadas pela debilidade física, mais acentuada que o normal. Um problema então é saber onde essas pessoas com Down vão morar e com quem poderão contar quando as manifestações da idade e outros sintomas ligados à síndrome se acentuarem. Como as Apaes e entidades similares não funcionam como internato, normalmente a responsabilidade é assumida pelos irmãos. "Com a morte de minha mãe, há seis anos, passei a cuidar do Luiz", diz a advogada Lorene Aparecida Silva, 40 anos. Ela mora em Ribeirão Preto, a 310 quilômetros de São Paulo, com o irmão Luiz Antonio Carlos da Silva, 61, que tem Down. Durante o dia, enquanto ela trabalha, Luiz permanece na Apae, onde pinta e monta mosaicos. Nos fins de semana, os dois aproveitam a piscina da casa ou saem para tomar sorvete.

Adultos com Down exigem cuidados especiais. Por exemplo, eles têm enorme dificuldade em lidar com situações novas. "Qualquer coisa que saia da rotina de um indivíduo com deficiência mental provoca grande ansiedade, que pode gerar conflitos", diz Silvia Longhitano, geneticista da Universidade Federal de São Paulo. A necessidade de exercícios físicos também é maior, devido à debilidade muscular. A ocorrência da doença de Alzheimer também se dá de forma precoce. O quadro degenerativo que leva a rompantes agressivos e perda progressiva de memória se manifesta a partir dos 40 anos em pessoas com Down, enquanto no restante da população ocorre após os 60. "Meu irmão sempre foi uma pessoa alegre e divertida, mas tem estado um pouco nervoso ultimamente", comenta Cândida Amaral Brito, 47 anos, que vive em Anápolis, Goiás. Filha caçula de uma família de treze irmãos, Cândida cuida do primogênito, Dilmar, que tem Down e 73 anos, e da mãe, de 92. Fã do Flamengo, em meados do ano passado Dilmar apresentou os primeiros sinais de Alzheimer. Com freqüência não reconhece os parentes. A debilidade física o obriga a usar uma bengala de apoio.

No Brasil, há poucos centros especializados no atendimento de idosos com Down. Em 1998, a Apae de São Paulo abriu o Centro Zequinha, onde idosos com deficiência mental podem passar o dia, fazer exercícios físicos e praticar jogos de atenção e memorização, uma forma de combater o Alzheimer. No condomínio Aldeia da Esperança, em Franco da Rocha, cidade da Grande São Paulo, 63 pessoas com deficiência mental moram em pequenos apartamentos, trabalham e são assistidas por fisioterapeutas, nutricionistas e médicos. Quatro dos moradores têm a síndrome de Down. David Maiberg Neto, de 59 anos, é um deles. Órfão de pai e filho de uma senhora de 97 anos, David tem uma vida bem integrada na Aldeia. Nos últimos anos, com a visão e a audição comprometidas, passou a contar com a ajuda da namorada, Sheila Falkas, 36, também moradora do condomínio. "Ela é tudo para mim e eu sou tudo para ela", diz David.

A Aldeia da Esperança não está ao alcance de qualquer cidadão. O custo inicial de ingresso equivale à compra de um pequeno apartamento e a mensalidade é de 3.500 reais. Por outro lado, 30% dos moradores não pagam nada. No momento, há uma fila de trinta candidatos à espera de uma dessas vagas gratuitas. "Infelizmente, nada foi feito pelo setor público. Tudo o que existe para o atendimento de idosos com Down é por iniciativa privada", diz Jô Clemente, da Apae. Esse é um assunto que os órgãos públicos não podem continuar a ignorar. Existe grande possibilidade de o número de pessoas com Down aumentar proporcionalmente em relação ao total da população, uma vez que as mulheres engravidam cada vez mais tarde. Entre as gestantes de 30 anos, a probabilidade de nascer uma criança com Down é de uma a cada 895 nascimentos. Aos 40, o risco sobe para uma a cada 97.





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domingo, 12 de outubro de 2008

http://br.youtube.com/watch?v=zwwMPp0nxmk

Ciclo debate ações voltadas para a educação especial

A Comissão de Educação, Cultura e Esportes (Cece) da Câmara Municipal de Porto Alegre promoveu, na noite de quarta-feira (17/9), no Plenário Otávio Rocha, o Ciclo de Debates - Desafios do Processo de Inclusão Escolar: Assessorias. Coordenado pela presidente da Cece, Sofia Cavedon (PT), o evento reuniu representantes da Secretaria Municipal da Educação (Smed), diretores, professores, funcionários e familiares de alunos das escolas especiais.A professora Viviane Loss, da área de educação especial da Smed, disse que a equipe de assessoria está consolidada dentro da secretaria e tem construído suas políticas públicas em parceria com as escolas, os professores e parentes dos alunos. Viviane afirmou que a assessoria em educação especial precisa trabalhar articulada com outras secretarias do município para uma ação multidisciplinar. Também informou que a Smed está inaugurando vídeos institucionais que destacam a importância da inclusão de alunos especiais a partir de um atendimento de qualidade nas escolas.
A psicóloga Mara Lago, integrante da assessoria em educação especial da Smed, listou desafios a serem enfrentados pela secretaria. Segundo ela, as quatro escolas especiais da rede municipal não dão conta da grande demanda crescente. Mara também citou como meta o entrosamento de uma rede multidisciplinar, que envolve saúde, justiça, assistência social e famílias. Conforme a psicóloga, há dificuldade ainda na falta de acessibilidade em muitas escolas especiais e regulares, problema que depende de recursos. Outro desafio é o crescente número de casos de transtorno de conduta, que têm solicitado a intervenção dos especialistas das assessorias de educação especial. A assessoria da Smed nessa área, de acordo com Mara, dá-se, basicamente, pelo acompanhamento multidisciplinar e com a realização de reuniões mensais com professores, funcionários e familiares de alunos.A vice-diretora da Escola Estadual Especial Cristo Redentor, Carla Under, defendeu a existência das escolas especiais como fundamentais para a inclusão de crianças e adolescentes com necessidades especiais. "A escola especial é inclusiva", disse. Segundo ela, muitos alunos que estavam à margem da sociedade, em clínicas, sem escolaridade, têm a oportunidade de crescer em uma escola especial. Porém, ressaltou Carla, é preciso respeitar o direito das famílias de decidirem se querem matricular seus filhos em uma escola regular ou especial. "O importante é que os alunos se sintam acolhidos, com qualidade", disse. Carla lembrou que a escola especial do passado é muito diferente da atual, pois adota propostas pedagógicas que favorecem as trocas e a cooperação entre alunos e tem currículos adaptados.
Claudete Barcellos (reg. prof. 6481)
Fonte: site da Smed

INCLUSÃO NO MUNDO





Participando de mostras culturais, atividades esportivas e sociais alunos com necessidades educacionais especiais percebem suas possibilidades de inserção no mundo globalizado e se mostram alheios ao olhar curioso dos transeuntes. Mostram-se integrados, apreciam, emitem opiniões e recriam à partir das propostas criadas por artístas e/ou atletas, porém o olhar pedagógico especializado continua sendo necessário, pois é ele que detecta e instiga a possibilidade de cada um. É ela que acredida e faz todo entorno acreditar que é possível fazer e ser diferente.
Rejane Guariglia da Silva
Psicopedagoga

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Escolas recebem inscrições para Educação Infantil

Interessados em vagas em escolas municipais de Educação Infantil, que garantem atendimento a crianças com idade até cinco anos e 11 meses (completos até 28 fevereiro de 2009), devem providenciar inscrições a partir de hoje, 6, até o dia 22, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 19h, na instituição desejada. Nas 24 escolas de Ensino Fundamental que oferecem Educação Infantil, a inscrição será das 8h às 17h30. Para inscrição, é preciso comprovante de residência, contra-cheque do pai e da mãe e certidão de nascimento do futuro aluno. A distribuição das vagas obedecerá aos seguintes critérios: crianças em situação de risco, baixa renda per capita familiar e proximidade entre residência do interessado na vaga e a escola desejada. Caso os responsáveis pela criança não tenham comprovante de renda, a escola fornecerá um modelo de declaração como autônomo.
A rede municipal de ensino possui 33 escolas de educação infantil e sete Jardins de Praça. A falta de documentação não impede a inscrição e matrícula. Caso a criança não tenha documentos, a família será orientada pela escola a procurar o Conselho Tutelar ou o Módulo de Assistência Social da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) para que sejam providenciados. Seleção - Uma comissão organizada em cada escola, composta por representantes dos diferentes segmentos (pais e representantes da comunidade), é responsável pela implementação e acompanhamento do processo de seleção dos candidatos.
Até 9 de dezembro, as escolas deverão ter divulgado a lista das crianças contempladas com as vagas suplentes e efetivado as matrículas. O ingresso nas escolas de Educação Infantil da rede municipal de ensino pode ocorrer em qualquer época do ano, respeitando o processo de inscrição e seleção. Conforme a coordenadora do Território de Educação Infantil na Secretaria Municipal de Educação (Smed), Fernanda Schumacher de Matos, um dos diferenciais do trabalho da rede municipal é a garantia de um atendimento que leva em consideração as individualidades, sem perder a relação com a comunidade e a participação da família. "Queremos ampliar as potencialidades da criança por meio do contato com as diferentes linguagens e expressões dos saberes na infância", afirma.
Mais informações pelo telefone (51) 3289-1816 , em horário comercial.PMPA03/10/2008
Foto: Divulgação / PMPA Tio Barnabé recebe inscrições de interessados em garantir vaga para o ano que vem.

EDUCAÇÃO Escola Tio Barnabé prepara inscrições para vagas A Escola Municipal de Educação Infantil Tio Barnabé, que atende filhos de funcionários da prefeitura, receberá inscrições de interessados em garantir vaga para o ano que vem. A diretora da escola, Cindi Sandri, ressalta que, para concorrer à vaga, a criança deverá ter de quatro meses a cinco anos e 11 meses completos até 28 de fevereiro de 2009. As inscrições poderão ser feitas entre os dias 06 e 22, das 7h30 às 17h30.Servidores interessados em realizar a inscrição devem comparecer à instituição de ensino, inclusive ao meio-dia, com cópias originais do contracheque, do comprovante de residência e da certidão de nascimento da criança. A escola fica na Rua Otto Ernest Meyer, 55, Cidade Baixa.A Tio Barnabé atende 125 crianças, em seis turmas, desde o Berçário 1 até o Jardim B, em turno integral, das 7h às 19h. Cindi destaca que a inscrição não garante vaga. “Será realizado um processo de seleção, com a participação dos interessados nas vagas, para definir quem serão os contemplados”, avisa a diretora, adiantando que a renda familiar é preponderante na ordem de preenchimento de vagas. A Escola Municipal de Educação Infantil Tio Barnabé completará 22 anos de existência em 27 de março de 2009. Mais informações pelo telefone 3227 4591. Site:http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smed/

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

PROJETOS PSICOSSOCIAIS: TEMPO LIVRE,


Grupo de Pesquisas em Psicologia Comunitária

CURSO DE EXTENSÃO:
Período: 20 a 24 de outubro
Horário: 19h30min às 22h30min
Local: UFRGS – Instituto de Psicologia
Rua Ramiro Barcelos, 2600, sala 202

COORDENAÇÃO, MINISTRANTES E PROFISSIONAIS CONVIDADOS
Coordenador do Curso
Jorge Castellá Sarriera
Doutor em Psicologia Social. Pós-doutor em Técnicas Estatísticas Multivariadas e em Psicologia Comunitária. Professor adjunto do Instituto de Psicologia da UFRGS e Coordenador do Grupo de Pesquisas em Psicologia Comunitária nesta Universidade.
Ministrantes
Anelise Lopes Rodrigues
Psicóloga. Mestre em Psicologia Social e da Personalidade. Consultora e Pesquisadora em Psicologia Sócio-Desportiva, com atuação em diversos projetos sociais de educação através do esporte, dentre os quais: Fundação Jackie Silva – RJ; Projeto Bom de Bola, Bom na Escola – RJ; Fundação Tênis – RS.
Ângela Carina Paradiso
Psicóloga. Mestre em Psicologia. Possui experiência nas áreas de psicologia clínica, orientação profissional e de carreira. É docente em cursos extensão e especialização em orientação profissional.
Profissionais Convidados:
Nelson Schneider Todt
Doutor em Educação. Mestre em Ciências do Movimento Humano. Professor da PUCRS e Coordenador do Grupo de Pesquisas em Estudos Olímpicos nesta Universidade. Atual Presidente do Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin.
Luis Carlos Enck
Diretor Técnico e Superintendente da Fundação Tênis, entidade de atuação consolidada no desenvolvimento social e psicopedagógico de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social por meio da prática do tênis. Dispõe atualmente de sete núcleos de atividades, sendo seis no estado do RS e um em SP.

PROGRAMAÇÃO
20 de outubro – Segunda-feira
Conceitos Iniciais
Tempo livre, ócio e lazer na juventude
A emergência do Terceiro Setor
Direito, Cidadania, Políticas Públicas e Responsabilidade Social
21 de outubro – Terça-feira
Esporte, Lazer e Tempo livre na juventude
Esporte e juventude: perspectiva historiográfica
Usos políticos do esporte no contexto social brasileiro
Jovens carentes, mito das classes perigosas e o salvacionismo através do esporte
Esporte e organismos internacionais: financiamento; globalização de praticas e saberes Esporte e mídia: estratégias de conscientização através do esporte (vídeos)
Apresentação de Cases
22 de outubro – Quarta-feira
Professor Convidado: Nelson Schneider Todt - “Contribuições pedagógicas do esporte: a experiência de implementação da pedagogia olímpica em projetos sociais esportivos”
Projetos Sociais: Elaboração, Execução e Gestão
23 de outubro – Quinta-feira
Avaliação e Monitoramento
Avaliação como instrumento de gestão
Monitoramento: trabalhando com indicadores sociais
Avaliação de Resultados: Métodos de Coleta de Dados, Questionários, Entrevistas e Grupos Focais
Avaliação de Resultado e de Impacto
Professor Convidado: Luis Carlos Enck – Case Fundação Tênis: “Implementação de ferramentas de gestão”
24 de outubro – Sexta-feira
Apresentação de Cases e Oficina

RELEVÂNCIA
No Brasil, em especial nas últimas décadas, evidencia-se a proliferação de inúmeros projetos sociais destinados à juventude em situação de carência e/ou vulnerabilidade social. Muitos destes projetos buscam promover práticas de esporte e lazer como forma de ocupar o tempo livre destes jovens, promover a cidadania e inclusão social. Neste curso serão discutidos diversos aspectos implicados na elaboração, execução e gestão de projetos sociais de esporte, oferecendo-se subsídios teóricos e práticos que possam constituir-se em alternativa ao enfrentamento dos inúmeros desafios que se impõe no cotidiano dos profissionais que atuam neste setor.

OBJETIVO GERAL
Fornecer subsídios teóricos e técnicos a fim de qualificar a elaboração, execução e avaliação de projetos sociais na área do tempo livre, tornando-os mais efetivos e eficazes na promoção do desenvolvimento psicossocial de crianças e adolescentes.
PÚBLICO ALVO
Profissionais e estudantes de diferentes áreas que atuam ou pretendem atuar em projetos sociais voltados ao tempo livre tendo em vista o desenvolvimento psicossocial de crianças e adolescentes.

INVESTIMENTO
Estudantes: R$ 50,00
Profissionais: R$ 80,00

CARGA HORÁRIA
O curso será ministrado em cinco encontros, perfazendo um total de 15 horas aula.
Vagas Limitadas
Maiores Informações: (51) 3308 5239 gppc@ufrgs.br

CERTIFICADO
Será fornecido certificado aos participantes com índice de presença não inferior a 75%.

AVALIAÇÃO
Ao final do curso, como forma de avaliação e de aplicação dos conteúdos abordados, os participantes poderão realizar uma oficina sobre elaboração e/ou gestão de projetos sociais .

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Apresentar e discutir os conceitos de tempo livre, ócio, lazer, esporte;
Discutir ações voltadas ao desenvolvimento psicossocial dos jovens a partir do uso adequado do tempo livre;
Abordar o esporte a partir de uma perspectiva historiográfica, propiciando uma compreensão contextual de sua utilização no âmbito dos projetos sociais;
Apresentar as etapas de elaboração, execução e avaliação de projetos sociais e discutir sua importância em prol do aprimoramento e da qualificação da intervenção;
Discutir cases e pesquisas de avaliação de impacto e resultados de projetos sociais destinados à juventude.