domingo, 16 de março de 2014
domingo, 27 de maio de 2012
domingo, 22 de abril de 2012
quinta-feira, 29 de março de 2012
sexta-feira, 23 de março de 2012
Extraído de: COAD - 20 de Março de 2012
Pessoa com deficiência poderá ter direito a aposentadoria especial
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Prevista na Constituição desde 2005, a aposentadoria especial para pessoa com deficiência poderá finalmente se tornar realidade. A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou, nesta terça-feira (20), projeto de lei da Câmara ( PLC 40/2010 - Complementar) que tem por objetivo viabilizar o exercício do direito por mais de 300 mil trabalhadores nessa condição, filiados ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS).
O texto acolhido pela CAE resultou de um ano de "intensas negociações" com diversos setores do governo federal e envolveu a participação de representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública e entidades da sociedade civil, conforme destacou o relator, senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Por sugestão do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), segue em regime de urgência para deliberação do Plenário do Senado.
Condições
O substitutivo aprovado pela comissão prevê quatro hipóteses para aposentadorias de pessoa com deficiência. No primeiro caso, está o segurado com deficiência grave, que poderá se aposentar com 25 anos de contribuição, se homem, ou com 20, se mulher.
A segunda hipótese de aposentadoria contempla o segurado com deficiência moderada, que pode se aposentar com 29 anos de contribuição, se homem, ou 24, se mulher.
O segurado com deficiência leve enquadra-se na terceira hipótese, podendo se aposentar aos 33 anos de contribuição, se homem, ou aos 28, se mulher.
O grau de deficiência terá de ser atestado por perícia do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Idade
Independentemente do grau de deficiência, o trabalhador pode se aposentar aos 60 anos de idade, se homem, ou aos 55 anos, se mulher. Para ter direito a essa opção, ele deverá ter cumprido um tempo mínimo de contribuição de 15 anos e comprovar a existência da deficiência por igual período.
Os senadores Francisco Dornelles (PP-RJ), José Pimentel (PT-CE), Alvaro Dias (PSDB-PR), Gim Argello (PTB-DF), Ricardo Ferraço (PMDB-ES), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Kátia Abreu (PSD-TO), Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) e Ivo Cassol (PP-RO) destacaram o grande alcance social da proposta. A deputada Rosinha da Adefal (PTdoB-AL) também falou na reunião da CAE, que foi acompanhada por várias pessoas com deficiência.
Mandados de Injunção
O PLC 40/2010 - Complementar foi apresentado em 2005 pelo então deputado Leonardo Mattos, cadeirante, logo após a promulgação da Emenda Constitucional 47/2005, que instituiu a aposentadoria especial para pessoas com deficiência.
Apesar da previsão constitucional, o INSS não concedia a aposentadoria diferenciada para pessoa com deficiência, como registrou o relator Lindbergh Farias, por falta de regulamentação da matéria. Por isso, várias entidades de classe impetraram mandados de injunção no Judiciário.
Lindbergh observou que o Legislativo não poderia mais permitir que outro Poder - o Judiciário - continuasse a produzir norma cuja competência é exclusiva dos parlamentares.
FONTE: Agência Senado
sexta-feira, 29 de maio de 2009
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Prefeitura tira segundo lugar em concurso de educação inclusiva
Foi entregue neste sábado durante o 3º Fórum Ambiental Integrando Meio Ambiente à Vida, no teatro Dante Barone, o Prêmio Troféu AME 2009, concedido pelo Instituto AME (Artes, Meio Ambiente e Educação) a instituições que desenvolvem projetos de preservação ambiental e inclusão social. Os ganhadores foram escolhidos por meio de voto eletrônico aberto ao público, e o projeto Serviço de Integração e Recursos (SIR)/Visual do setor de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação (Smed) ficou em segundo lugar, com 22,10% dos votos.
Criado para auxiliar o ensino a alunos com deficiências visuais das escolas da rede municipal de educação, o Serviço de Integração e Recursos (SIR)/Visual oferece salas constituídas de computador com sintetizador de voz, impressora jato de tinta e máquina de datilografia com impressão em braile, scanner, lupa eletrônica para alunos com baixa visão, além de materiais pedagógicos adaptados.
O projeto vencedor foi o da ONG Reviver, intitulado Escola de Fábrica e o compromisso do jovem com o Meio Ambiente, e tem como objetivo despertar no jovem o gosto pelo cuidado com a natureza e mostrar o quanto o coletivo pode ganhar com pequenos cuidados diários. Em terceiro lugar ficou o projeto Trilha Perceptiva no Museu Zoobotânico Augusto Risch, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Passo Fundo. Também concorreram ao prêmio projetos da Associação Transmontana para Transferência de Tecnologia (Transtec), da Prefeitura de Osório, da AGCO e dos Bancos Sociais da Fiergs.
Inclusão
Atualmente, esse serviço atende a 50 alunos cegos e com baixa visão, matriculados em escolas próximas a suas residências, com todo o material adaptado, em braile ou ampliado, além do atendimento no turno inverso para complementação pedagógica no SIR/Visual. A política de inclusão adotada pela Smed permite que os alunos com deficiência visual (cegos e com baixa visão) matriculem-se em qualquer uma das escolas da rede e, com o apoio do SIR/Visual, possam estudar próximo de suas comunidades. Além disso, a partir de um convênio entre Smed e União de Cegos do Rio Grande do Sul, foi implantado um serviço de Educação Precoce, para crianças de zero a seis anos de idade, cegas ou com baixa visão.
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Criado para auxiliar o ensino a alunos com deficiências visuais das escolas da rede municipal de educação, o Serviço de Integração e Recursos (SIR)/Visual oferece salas constituídas de computador com sintetizador de voz, impressora jato de tinta e máquina de datilografia com impressão em braile, scanner, lupa eletrônica para alunos com baixa visão, além de materiais pedagógicos adaptados.
O projeto vencedor foi o da ONG Reviver, intitulado Escola de Fábrica e o compromisso do jovem com o Meio Ambiente, e tem como objetivo despertar no jovem o gosto pelo cuidado com a natureza e mostrar o quanto o coletivo pode ganhar com pequenos cuidados diários. Em terceiro lugar ficou o projeto Trilha Perceptiva no Museu Zoobotânico Augusto Risch, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Passo Fundo. Também concorreram ao prêmio projetos da Associação Transmontana para Transferência de Tecnologia (Transtec), da Prefeitura de Osório, da AGCO e dos Bancos Sociais da Fiergs.
Inclusão
Atualmente, esse serviço atende a 50 alunos cegos e com baixa visão, matriculados em escolas próximas a suas residências, com todo o material adaptado, em braile ou ampliado, além do atendimento no turno inverso para complementação pedagógica no SIR/Visual. A política de inclusão adotada pela Smed permite que os alunos com deficiência visual (cegos e com baixa visão) matriculem-se em qualquer uma das escolas da rede e, com o apoio do SIR/Visual, possam estudar próximo de suas comunidades. Além disso, a partir de um convênio entre Smed e União de Cegos do Rio Grande do Sul, foi implantado um serviço de Educação Precoce, para crianças de zero a seis anos de idade, cegas ou com baixa visão.
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sábado, 13 de dezembro de 2008
Fórum pela Inclusão lança livro
Ao encerrar o ano, a Comissão de Educação da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (Cece) e o Fórum pela Inclusão Escolar realizam o lançamento do livro 'Inclusão Escolar: práticas & teorias', composto por um conjunto de artigos dos palestrantes do Ciclo de Debates promovido durante 2008. O evento será na quarta-feira (17), às 19h, no Anfiteatro da Faculdade de Educação (sala 240 do Prédio 15 da PUC, na Capital).
A atividade, com entrada franca, envolve, além da sessão de autógrafos, a palestra de Rosita Edler Carvalho, psicopedagoga, doutora em Educação, pesquisadora em Educação e autora de livros com temas voltados à Educação inclusiva. Neste ano, a Educação Especial conquistou significativos avanços nas discussões e na organização das instituições que atuam na área, encontrando na Cece espaço para qualificar o debate e para buscar esclarecimentos e trocas significativas.Por meio da Comissão, a presidente da Cece, Sofia Cavedon, explica que foi, assim, organizado e realizado o Ciclo de Debates Inclusão Escolar: Práticas e Teorias, que se iniciou em junho, durante o lançamento do Fórum pela Inclusão Escolar. O evento teve cinco encontros mensais, com efetiva participação de representantes das escolas especiais do município, das Salas de Integração e Recursos (SIR) e da Associação dos Trabalhadores em Educação do Município de Porto Alegre (Atempa). Em 2008, houve ainda o 1º Encontro de Pais, promovido pelo Fórum.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Vejamos a educação...
Nas duas últimas semanas foram veiculadas matérias em uma grande (?!?!) revista de circulação nacional com idéias incrivelmente distorcidas sobre a educação e os educadores brasileiros.
Na semana passada, fomos, todos os educadores sérios e competentes deste país, aviltados de maneira agressiva e extremamente desrespeitosa... Fomos tratados como moleques despreparados e desqualificados. Não sei se as desinformadas e tendenciosas jornalistas que assinaram tal matéria fazem idéia que um professor, cada vez que está diante do desafio que é uma aula, traz consigo uma concepção de mundo e de sociedade, e que quanto a isto, sinto muito, mas por mais que as repórteres e o grupo de pessoas a quem elas representam queira, não há a mínima possibilidade de neutralidade. Todos nós trazemos concepções sim! E os educadores precisam ter em mente, no Projeto Político Pedagógico de cada escola, o tipo de homem e de sociedade que desejam formar, e a cada família cabe fazer a escolha, de acordo com o que deseja para seus filhos, para a sociedade e, sem nenhum exagero, para o Planeta... Existem escolas trabalhando nas mais diversas concepções, mas nenhuma nunca foi e nunca será neutra.
Muitas pessoas, das mais variadas profissões julgam-se competentes para opinar sobre o trabalho do professor. Será que é possível dizer a um médico como proceder... ou a um pedreiro, um economista ou a um advogado qual a maneira de exercer sua profissão? Não. Ninguém se julgaria preparado para tal. Pois é, mas sobre educação, e de preferência, para desqualificar o professor, são várias as vozes que se levantam. Será que estas pessoas têm noção que para que cada aula aconteça o professor precisa ter estudado, no mínimo sobre epistemologia, didática, psicologia, sociologia, filosofia, história, política educacional, além de todo o saber próprio de sua disciplina? Será que se dão conta do quanto de conhecimento e de investimento pessoal está subtendido em cada prática e de que não são conhecimentos simples, que não podem ser construídos sem muito estudo, reflexão e dedicação? E que a atualização é constante, num mundo em mutação permanente?
Não são apenas conhecimentos técnicos...cada aluno é um ser que pensa, que constrói conhecimento, que sente, que tem desejos e opiniões próprias, que traz uma extensa bagagem cultural e familiar, além das peculiaridades da sua faixa etária e do meio social em que vive... e tudo isto multiplicado por 20 ou 40 alunos em uma sala de aula. Não esquecendo, também, das muitas horas dedicadas ao preparo, atualização, correção de trabalhos e etc... Nenhum professor fecha a porta da sala de aula, e só volta a pensar no seu trabalho no dia seguinte... Por isso e por muito mais, por favor, mais respeito com o professor!!!! Ser educador não é uma missão nem uma vocação.É uma profissão que exige muita qualificação.
Como se não bastasse a matéria da semana passada, que gerou muitos constrangimentos entre nós, não só pelo desrespeito, mas pela maneira totalmente antiética com que cita professores e instituições, nos deparamos novamente, nesta semana, com uma triste coluna, na mesma revista, com teor altamente tendencioso...
Muito teria para dizer sobre a referida coluna e sobre tantas outras que circulam por aí, mas vou falar sobre minha preocupação com este momento. Penso que todos nós somos perdedores, enquanto sociedade, por termos pessoas totalmente tendenciosas formando a opinião dos brasileiros via desqualificação da educação. Não existe neutralidade nenhuma nesta posição. A escola precisa ser neutra, não é o que apregoam? Que engraçado! E a mídia?
Me inquieta a maneira como os espaços estão sendo ocupados, como as cabeças estão sendo feitas em nossa sociedade. Um artigo aqui, outro ali, parece que, a princípio, não causam mal algum, que deveríamos deixar como está, que cada um fala o que pensa, e tudo bem...A princípio pode até parecer bem democrático...mas cuidado!
Uma coluna como a que estou me referindo, se levada a sério por desconhecedores, por pessoas que já estão levadas a pensar de determinada forma por um senso comum emburrecedor e acrítico, podem achar até muito interessante...mas se a analisarmos com cuidado, em cada parágrafo há algo não só de assustador, como de muito perigoso e com conseqüências muito séria para todos nós...é um texto, que se levado ao pé da letra, nos leva a concepções já vistas na Alemanha pelos idos de 1940. Será atual? Será neutra? Será competente? Será inofensiva? Será moderna? Será...?
Faço um convite especial aos pais, aos educadores e às pessoas sérias e comprometidas com um mundo em profunda transformação: existem excelentes e sérias publicações sobre educação: são revistas, jornais, livros, sites extremamente ricos e qualificados. Quando me refiro a opinar sobre o trabalho do professor não estou, de maneira alguma, me opondo à participação construtiva de toda a sociedade na educação. Esta é muito bem vinda, e absolutamente necessária, mas com diálogo e troca de saberes inerentes à profissão de cada um, que juntos construirão a escola brasileira tão necessariamente qualificada.. Convido a todos para que ocupemos os espaços coletivos, que façamos nossas vozes serem ouvidas...se não os ocuparmos, outros o farão, de forma lamentável.
Maria Rita Vidal Peroni
mariaritaperoni@gmail.com.br
Professora
domingo, 16 de novembro de 2008
ESCOLA ESPECIAL: ESPAÇO DE INCLUSÃO
As Escolas Municipais Especiais de Ensino Fundamental de Porto Alegre Eliseu Paglioly, Ligia Averbuck, Tristão Sucupira Viana e Lucena Borges atendem crianças e adolescentes, com as idades entre 0 e 21 anos, que apresentam deficiência mental, paralisia cerebral, deficiências múltiplas, transtorno global do desenvolvimento (autismo e psicose) com deficiências associadas.
Oferecem Educação Básica conforme a organização curricular da rede municipal de Ensino com a Educação Infantil nas modalidades de Educação Precoce (0 a 3 anos de idade), Psicopedagogia Inicial (3 a 6 anos de idade) e Ensino Fundamental com I, II, III Ciclos (dos 7 aos 21 anos), consideradas as especificidades relacionadas às idades e ao desenvolvimento. Aos alunos do 3º ciclo também é oferecido o Programa de Trabalho Educativo (PTE), com objetivo de realizar a inclusão em espaços de trabalho públicos e privados.As escolas acompanham as discussões, as transformações propostas pela Secretaria Municipal de Educação (Smed), possuem Projeto Político-Pedagógico, Regimento Escolar, diretores eleitos, Conselho Escolar, gerenciamento financeiro.
Têm como equipe de trabalho professores e monitores para atendimento aos alunos. Constituem-se como espaços escolares com projetos que viabilizam a inclusão educacional, cultural e social de seus alunos.Duas das escolas especiais oferecem espaços e projetos abertos à participação de alunos das escolas regulares. São importantes aprendizagens acontecendo dentro da escola especial, onde (re)inventamos caminhos, inovamos e ainda mostramos o resultado dessas produções no contexto cultural e social, seja pelo teatro, seja por meio das exposições dos trabalhos de artes realizadas na cidade, numa perspectiva de transformação dos pré-conceitos do senso comum, rompendo a lógica de que na escola especial pouco se ensina ou se aprende. Os projetos já vêm apontando resultados muito positivos e reconhecidos pelas comunidades escolares há muitos anos.
As quatro escolas especiais, juntamente com as Assessorias de Inclusão da Smed, de Educação Precoce e de Psicopedagogia Inicial, vêm construindo caminhos diferenciados para a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais, criando alternativas conjuntas que possibilitem o acesso à permanência na Educação Infantil, na escola regular ou especial, com atendimentos de qualidade aos alunos, com respeito às diferenças e às necessidades.
PATRÍCIA ZILLMER especialista em Transtorno do Desenvolvimento e professora da EMEEF Lucena Borges
Fonte: Correio do Povo - 15/11/2008
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
O heróico trabalho da Apae, José Fortunatti*
Durante séculos, os portadores de deficiência de qualquer natureza foram fortemente discriminados pela sociedade. Em especial, os portadores da síndrome de Down e todos os portadores de alguma deficiência intelectual ou múltipla.
Felizmente, apesar de toda a negligência e ineficiência do poder público, a sociedade civil começa a se organizar para promover e articular ações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência na perspectiva da inclusão social dessas crianças e adolescentes.
As Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) começam a mostrar "a cara" a partir de 1954, cumprindo com um papel no qual o Estado se mostrava absolutamente omisso. De lá para cá, muita coisa mudou. Nestes 54 anos de existência, as Apaes conseguiram mostrar para a sociedade o valor das crianças e adolescentes portadores de alguma deficiência intelectual ou múltipla, fazendo com que as próprias famílias deixassem de se "envergonhar" de algum filho nessa situação.
Na condição de secretário estadual da Educação, aprofundei as minhas relações com o trabalho desenvolvido pelas Apaes e me apaixonei pelo trabalho educacional realizado por estas instituições. Fico perplexo com a insistência do próprio Ministério da Educação, que, em nome de um processo de inclusão educacional (que todos desejamos), simplesmente deseja fechar as escolas das Apaes.
Sempre fui um ferrenho defensor da inclusão educacional das crianças portadoras de qualquer deficiência nas escolas regulares, mas o pressuposto é que essas escolas tenham plenas condições de abrigar as crianças com professores capacitados para a tarefa, com a utilização de material pedagógico adequado, com a preparação dos colegas de turma e com um sólido trabalho realizado com os familiares dos alunos.
Caso contrário, na base do "tudo ou nada" como parece desejar o MEC, o "processo de inclusão" propost o pelo Ministério vai aumentar o fosso entre os alunos portadores de alguma deficiência intelectual e os demais alunos. Ao invés de um processo verdadeiro de inclusão, isso ocasionaria uma maior rejeição, discriminação e aumento do preconceito com os alunos portadores da deficiência.
Espero que o MEC ouça quem nos últimos 54 anos tratou com muito amor e dedicação desta questão e não se deixe levar por "novos teóricos" da inclusão, que com a única vivência acadêmica desejam "revolucionar" o setor.
Espero que amanhã, quando a Apae de Porto Alegre realiza a Caminhada Solidária, todos estejamos juntos para continuarmos construindo esta maravilhosa solidariedade para com estas queridas, fantásticas e amorosas crianças portadoras de deficiência intelectual.
Felizmente, apesar de toda a negligência e ineficiência do poder público, a sociedade civil começa a se organizar para promover e articular ações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência na perspectiva da inclusão social dessas crianças e adolescentes.
As Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) começam a mostrar "a cara" a partir de 1954, cumprindo com um papel no qual o Estado se mostrava absolutamente omisso. De lá para cá, muita coisa mudou. Nestes 54 anos de existência, as Apaes conseguiram mostrar para a sociedade o valor das crianças e adolescentes portadores de alguma deficiência intelectual ou múltipla, fazendo com que as próprias famílias deixassem de se "envergonhar" de algum filho nessa situação.
Na condição de secretário estadual da Educação, aprofundei as minhas relações com o trabalho desenvolvido pelas Apaes e me apaixonei pelo trabalho educacional realizado por estas instituições. Fico perplexo com a insistência do próprio Ministério da Educação, que, em nome de um processo de inclusão educacional (que todos desejamos), simplesmente deseja fechar as escolas das Apaes.
Sempre fui um ferrenho defensor da inclusão educacional das crianças portadoras de qualquer deficiência nas escolas regulares, mas o pressuposto é que essas escolas tenham plenas condições de abrigar as crianças com professores capacitados para a tarefa, com a utilização de material pedagógico adequado, com a preparação dos colegas de turma e com um sólido trabalho realizado com os familiares dos alunos.
Caso contrário, na base do "tudo ou nada" como parece desejar o MEC, o "processo de inclusão" propost o pelo Ministério vai aumentar o fosso entre os alunos portadores de alguma deficiência intelectual e os demais alunos. Ao invés de um processo verdadeiro de inclusão, isso ocasionaria uma maior rejeição, discriminação e aumento do preconceito com os alunos portadores da deficiência.
Espero que o MEC ouça quem nos últimos 54 anos tratou com muito amor e dedicação desta questão e não se deixe levar por "novos teóricos" da inclusão, que com a única vivência acadêmica desejam "revolucionar" o setor.
Espero que amanhã, quando a Apae de Porto Alegre realiza a Caminhada Solidária, todos estejamos juntos para continuarmos construindo esta maravilhosa solidariedade para com estas queridas, fantásticas e amorosas crianças portadoras de deficiência intelectual.
*Secretário municipal de Planejamento e vice-prefeito eleito de Porto Alegre.
Fonte: Zero Hora - 14/11/2008
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Curso de Capacitação de Professores em Educação Especial: Deficiência Visual
Objetivo: Capacitar professores para atender as especificidades dos alunos com deficiência visual na educação básica.
Local: UNILASALLE Canoas: av. Vitor Barreto, 2288 - Canoas -
Fones: 3476.8738 (extensão)
E-mail para maiores informações: clb@faders.rs.gov.br zenilde@unilasalee.edu.br
Carga Horária: 360 horasPrevisão de início: 03/04/2009
Previsão de Término: julho/2010
Público alvo: Professores da Rede Pública e Privada, estudantes da graduação em educação e ou/magistério (ensino médio).
Dias e horário das aulas: sextas-feiras - 19h às 22h e sábados - 8h30m às 12h - 13h às 14h30m.
Obs: È necessário realizar a pré-inscrição para que o curso se efetive. A realização do Curso está condicionada ao número de inscrições. A confirmação da inscrição ocorrerá posteriormente através dos dados fornecidos pelo interessado. Pré-inscrições no Portal de Acessibilidade da Faders http://www.portaldeacessibilidade.rs.gov.br/
Local: UNILASALLE Canoas: av. Vitor Barreto, 2288 - Canoas -
Fones: 3476.8738 (extensão)
E-mail para maiores informações: clb@faders.rs.gov.br zenilde@unilasalee.edu.br
Carga Horária: 360 horasPrevisão de início: 03/04/2009
Previsão de Término: julho/2010
Público alvo: Professores da Rede Pública e Privada, estudantes da graduação em educação e ou/magistério (ensino médio).
Dias e horário das aulas: sextas-feiras - 19h às 22h e sábados - 8h30m às 12h - 13h às 14h30m.
Obs: È necessário realizar a pré-inscrição para que o curso se efetive. A realização do Curso está condicionada ao número de inscrições. A confirmação da inscrição ocorrerá posteriormente através dos dados fornecidos pelo interessado. Pré-inscrições no Portal de Acessibilidade da Faders http://www.portaldeacessibilidade.rs.gov.br/
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
sábado, 25 de outubro de 2008
ALFABETIZAR: UM PROCESSO "SOFRIDO" E GRATIFICANTE

O educador necessita estar em constante busca de recursos e fundamentação para manter seus alunos entusiasmados pela aprendizagem, pela leitura e escrita, pela inclusão no mundo letrado sem perder de vista suas necessidades e possibilidades, seus interesses e sua vida íntima, remetendo-os a uma atitude reflexiva que transmita segurança nas aquisições, sem deixá-los acomodados, buscando a cada patamar adquirido, desestabilizá-los para aquisição de novas conquistas.
Para alunos com necessidades especiais a possibilidade de ler é conquistada com muito empenho e dedicação dos profissionais que lidam com esse foco, pois exige contrapor todas impossibilidades que durante 10 ou 12 anos conviviam diariamente com eles e com o entorno familiar e relacional. O processo é sofrido para ambos, aluno e educador. Muitos mitos devem ser derrubados, as estruturas precisam ser revitalizadas, a crença na possibilidade, em muitos casos, deve ser maior que a efetiva possibilidade.
O primeiro passo para um aluno ler é acreditar.
Isso desloca as atenções da impossibilidade ou grande dificuldade do aluno para a criação de uma estrutura de trabalho, para uma vinculação, para criação de um ambiente de segurança e confiança que possibilitem aquisições. O que deve ser adaptado, recriado, estudado, é o modo de propor e exigir. Quando detectado que o problema é o jeito de ensinar, o que se ensina e como se ensina, liberamos o aluno para crescer e adquirir informação suficiente para ler o mundo através, também das letras.
A busca deste "método", deste jeito de fazer exige dedicação, pesquisa e gosto pelo fazer.
Gosto pelo crescimento do outro.
Gozo pela conquista do aluno, pois isso significa dar dignidade a um cidadão, propiciar a caminhada em busca da autonomia. Significa inserir um sujeito no mundo das possibilidades e, mais do que isso, inclui um indivíduo na estrutura familiar como efetivamente um sujeito que sente, pensa, se expressa e participa do mundo sem necessitar interprétes ou representantes.
Para alunos com necessidades especiais a possibilidade de ler é conquistada com muito empenho e dedicação dos profissionais que lidam com esse foco, pois exige contrapor todas impossibilidades que durante 10 ou 12 anos conviviam diariamente com eles e com o entorno familiar e relacional. O processo é sofrido para ambos, aluno e educador. Muitos mitos devem ser derrubados, as estruturas precisam ser revitalizadas, a crença na possibilidade, em muitos casos, deve ser maior que a efetiva possibilidade.
O primeiro passo para um aluno ler é acreditar.
Isso desloca as atenções da impossibilidade ou grande dificuldade do aluno para a criação de uma estrutura de trabalho, para uma vinculação, para criação de um ambiente de segurança e confiança que possibilitem aquisições. O que deve ser adaptado, recriado, estudado, é o modo de propor e exigir. Quando detectado que o problema é o jeito de ensinar, o que se ensina e como se ensina, liberamos o aluno para crescer e adquirir informação suficiente para ler o mundo através, também das letras.
A busca deste "método", deste jeito de fazer exige dedicação, pesquisa e gosto pelo fazer.
Gosto pelo crescimento do outro.
Gozo pela conquista do aluno, pois isso significa dar dignidade a um cidadão, propiciar a caminhada em busca da autonomia. Significa inserir um sujeito no mundo das possibilidades e, mais do que isso, inclui um indivíduo na estrutura familiar como efetivamente um sujeito que sente, pensa, se expressa e participa do mundo sem necessitar interprétes ou representantes.
Rejane Guariglia da Silva
Psicopedagoga
Psicopedagoga
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
14% da população tem deficiência
Porto Alegre tem 14,3% da população – 194.531 pessoas – com algum tipo de deficiência, sendo que a visual registra a maior incidência (8,55%). A região com maior número foi a Restinga (16,91%). A menor ficou na zona Nordeste, com 8,21%. As informações relativas aos portadoras de deficiência na Capital foram analisados e debatidos em um encontro realizado na Secretaria Municipal da Administração, que reuniu pesquisadores, representantes de entidades e dos conselhos municipais.
Os dados foram tabulados pela Gerência de Informações da Secretaria Municipal de Coordenação Política e Governança Local (SMGL), com base no Censo 2000 do IBGE. Essa foi a primeira reunião do Projeto Democratizando Informações, do Observatório da Cidade de Porto Alegre (ObservaPoA). Os números estão disponíveis no site www.observapoa.com.br.
A técnica da Gerência de Informações da SMGL Adriana Furtado salientou que os números da Capital gaúcha são semelhantes aos do restante do país, que registra 14,48% de pessoas com alguma deficiência. 'O objetivo do ObservaPoA é mostrar que existem várias pequenas cidades dentro de Porto Alegre e que os dados sirvam para a cobrança de políticas públicas para determinada região', afirmou Adriana.
O titular da Secretaria Especial de Acessibilidade e Inclusão Social (Seacis), Tarcízio Cardoso, observou que desde a criação da Pasta, em 2005, está se buscando intensificar iniciativas voltadas ao bem-estar das pessoas portadoras de deficiência. 'Os dados do Censo 2000 estão defasados. Por isso, criamos um programa que pretende quantificar e localizar as pessoas com deficiência na Capital.' Segundo ele, o objetivo é criar projetos com a iniciativa privada e entidades do terceiro setor.
Em dezembro, será realizado o segundo painel, com o tema trabalho, a partir da Pesquisa de Emprego e Desemprego. Também em dezembro, haverá o Seminário do Atlas de Desenvolvimento Humano (IDH) da Região Metropolitana, que inclui o IDH de 163 áreas de Porto Alegre.
Fonte: CORREIO DO POVO - QUINTA-FEIRA, 23 DE OUTUBRO DE 2008
sábado, 18 de outubro de 2008
Música estimula a inteligência
Várias pesquisas indicam que crianças com educação musical desenvolvem maior aptidão mental
São muitos os estudos que provam que a música é um estímulo muito valioso ao desenvolvimento da criança. Segundo o coordenador do Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil da Universidade Federal de São Paulo, Mauro Muszkat, 'ela interfere na plasticidade cerebral, de modo que há diferenças entre o cérebro de um músico e de um não-músico. Favorece a rede de conexões entre os neurônios na parte frontal do cérebro, o que tem relação com os processos de memorização e atenção. Por estimular a comunicação entre os dois lados do cérebro, também está relacionada com as habilidades como o raciocínio e a matemática', afirma o especialista.
São muitos os estudos que provam que a música é um estímulo muito valioso ao desenvolvimento da criança. Segundo o coordenador do Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil da Universidade Federal de São Paulo, Mauro Muszkat, 'ela interfere na plasticidade cerebral, de modo que há diferenças entre o cérebro de um músico e de um não-músico. Favorece a rede de conexões entre os neurônios na parte frontal do cérebro, o que tem relação com os processos de memorização e atenção. Por estimular a comunicação entre os dois lados do cérebro, também está relacionada com as habilidades como o raciocínio e a matemática', afirma o especialista.
Cada tipo de som exerceria influência em determinada área cerebral. A música básica, rítmica, relaciona-se com a porção anterior. O som melódico age nas áreas temporais e a música com contrastes e efeitos influencia áreas associativas. Músicas mais lógicas, como as de Mozart, estimulam a resolução de problemas espaciais. Não há um efeito único, mas em geral a música modifica a atividade elétrica do cérebro, potencializando várias áreas.
Já a Universidade de Hong Kong realizou pesquisa com 90 meninos e meninas, entre 6 e 15 anos. Metade dos avaliados integrava a orquestra da escola e aprendia a tocar um instrumento, enquanto a outra metade não tinha formação musical. Cinco anos depois, constatou-se que as crianças que participaram da atividade musical mostraram mais capacidade de memorização de palavras. Segundo os estudiosos, fazer escalas ao piano, por exemplo, desenvolve o lado esquerdo do cérebro, local de concentração da memória verbal e das aptidões musicais. Na Universidade da Califórnia em Irvine, dois grupos de crianças foram estudados; um deles teve lições de piano e cantava no coro diariamente. Após oito meses, as crianças musicadas eram experts no domínio de quebra-cabeças, atingindo desempenho 80% superior aos colegas em inteligência espacial.
Depois da sanção da lei 11.769, que torna obrigatória a inclusão da disciplina música no ensino fundamental e médio das redes públicas e particulares no Brasil, começou a ser debatido como esse ensino se dará quanto à capacitação de professores, infra-estrutura de escolas públicas, material didático e plano de aula. O conselheiro da Abemúsica Marcelo Aziz considera a aprovação da lei um avanço significativo no campo das artes. 'Acredito que haverá o aumento do interesse pela música. A linguagem musical sempre esteve presente na vida dos seres humanos, fazendo parte da educação de crianças e adultos. Na Grécia, era considerada fundamental na formação, assim como filosofia e matemática', conclui.
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2008
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 12 DE OUTUBRO DE 2008
Fonte: Correio
APAES: DE MÃOS DADAS COM A INCLUSÃO
Inclusão social. Um novo paradigma? Alguns anos atrás, quem seria capaz de imaginar que a luta em defesa das pessoas com deficiência seria amplamente anunciada? Talvez um louco ou um idealista. Hoje, felizmente, o nosso olhar vislumbra o ser, com suas diferenças e potencialidades, com seu tempo e maturação. E mais do que ninguém, os apaeanos sabem disso, desejam a inclusão social e, quiçá um dia, que todos estejam incluídos como cidadãos.A Federação das
Associações de Pais de Amigos dos Excepcionais do RS (Apaes) é filiada à Federação Nacional das Apaes, instituição filantrópica fundada em 1954. Atualmente, congrega 205 Apaes redistribuídas em 22 Conselhos Regionais, que prestam atendimento a 454 municípios do seu entorno, atendendo aproximadamente 18 mil alunos com deficiência mental no Rio Grande do Sul. Nosso atendimento busca garantir às pessoas com deficiência mental uma Educação inclusiva, dentro de um processo de desenvolvimento institucional da escola e do sujeito com oportunidades para trabalhar a cidadania, a diversidade e o aprendizado.Além do atendimento pedagógico, as Apaes ainda oferecem políticas de saúde, assistência social, trabalho, esporte, lazer e informática.
A missão do movimento apaeano é, assim, promover e articular ações de defesa de direitos, prevenção, orientações, prestação de serviços e apoio à família direcionados à melhoria da qualidade de vida da pessoa portadora de deficiência e à construção de uma sociedade justa e solidária.Mas almejamos que essa inclusão seja realizada no verdadeiro sentido da palavra.
Ato ou efeito de incluir-se, envolver, fazer parte. Queremos que nossos alunos freqüentem a escola comum, porque estarão aptos a continuar paralelamente aos demais colegas da turma; que sejam bem recebidos por uma escola acessível e com professores capacitados. Desejamos tudo isso que hoje oferecemos nas nossas escolas reconhecidas e autorizadas. E é o livre-arbítrio da família que deverá, de forma consciente, eleger a melhor escola. Enquanto isso, continuamos fazendo bem-feita a nossa parte. Educação digna para todos!
Aracy Maria da Silva Lêdo Presidente da Federação das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais do RS
Fonte: Correio do Povo - 18/10/2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Down na terceira idade
As pessoas com a síndrome estão vivendo mais.
Quem vai cuidar desses velhinhos?
Meio século atrás, pessoas com síndrome de Down raramente sobreviviam além da adolescência. Essa situação mudou inteiramente. A expectativa de vida delas saltou para 56 anos, e já não causam surpresa aquelas que ultrapassam os 60 ou mesmo os 70 anos. Vários fatores contribuíram para que isso acontecesse – a assistência médica específica e mais eficiente, maior oportunidade de convívio social, o acesso à escola e ao mercado de trabalho são os principais. Isso tudo formou uma geração de indivíduos que nasceram com Down e estão chegando à terceira idade. Trata-se de inesperado desafio. Como lhes proporcionar os cuidados de que necessitam na velhice? Quando chegam a essa fase da vida, seus pais, as pessoas que geralmente davam atenção a eles desde pequenos, ou estão muito velhos ou morreram. "No passado, os médicos diziam para os pais não se preocuparem, porque os problemas físicos nunca deixariam pessoas com Down chegar à idade adulta", diz Jô Clemente, uma das fundadoras da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), de São Paulo. "A situação agora é completamente outra."
Estima-se em 300.000 o número de brasileiros com Down. A síndrome ocorre quando o cromossomo 21, em lugar de ser formado pelo par normal, ganha um terceiro elemento. Os sinais exteriores da alteração genética são perfeitamente visíveis. Os olhos amendoados e o rosto arredondado lembram vagamente traços orientais. Os músculos são flácidos, o que dificulta a fala e aumenta a possibilidade de quedas. O metabolismo mais lento favorece a obesidade. O desenvolvimento intelectual é comprometido em grau variado. Problemas nos órgãos internos e no sistema imunológico também são freqüentes e exigem atenção médica (veja o quadro abaixo).
Muitos desses problemas podem ser minorados com o atendimento adequado. Em centros especializados e nas mais de 2.000 Apaes espalhadas pelo Brasil (quase uma para cada dois municípios), fonoaudiólogos treinam a fala, fisioterapeutas ensinam exercícios para fortalecer a musculatura e terapeutas estimulam o desenvolvimento cognitivo com brincadeiras e atividades. Poucas dessas pessoas com Down que hoje têm mais de 60 anos foram diretamente beneficiadas por essa estrutura de apoio, criada sobretudo nas últimas duas décadas. Alcançaram a terceira idade em grande parte graças ao esforço dos pais e familiares para incluí-las no convívio familiar e na sociedade.
A paulistana Danimira Antonia Ursich, de 61 anos, freqüenta a Apae desde 1990. Lá pratica tapeçaria e outros tipos de artesanato. Filha de eslovenos, conversa com fluência na língua que aprendeu com os pais. O português ela praticou com os irmãos. "Ela sempre foi incluída em todas as atividades da família. Foi uma orientação intuitiva dos pais na época", diz a irmã Mileni Ursich, médica de 69 anos, que a acolheu em casa. Quando pequena, Danimira foi alfabetizada numa escola para crianças com deficiência mental mantida por um grupo de médicos no quintal de uma casa. "Os principais responsáveis pela melhoria observada nas pessoas com síndrome de Down foram os familiares, que exigiram e forçaram os profissionais de saúde a se preparar para lidar com seus filhos", diz o médico geneticista e pediatra Zan Mustacchi, do Centro de Estudos e Pesquisas Clínicas de São Paulo.
O novo desafio dos pais agora é planejar a velhice dos filhos com Down. Os especialistas aconselham a treinar o deficiente para uma vida com autonomia. Isso significa ensinar a realizar sem ajuda tarefas do cotidiano, como fazer compras no supermercado, usar o sistema de transporte público e cozinhar. Um curso profissional pode prepará-lo para o trabalho. Um indivíduo com síndrome de Down pode perfeitamente fazer trabalhos repetitivos em linha de montagem ou ser assistente de portaria. Embora nunca se possa prever o grau de inteligência que uma pessoa com Down atingirá, a maioria é capaz de realizar as atividades domésticas sem supervisão. Outros conseguem avanços maiores. No Brasil, atualmente há cinco pessoas com Down freqüentando a universidade.
Na terceira idade, todas essas habilidades começam a ser prejudicadas pela debilidade física, mais acentuada que o normal. Um problema então é saber onde essas pessoas com Down vão morar e com quem poderão contar quando as manifestações da idade e outros sintomas ligados à síndrome se acentuarem. Como as Apaes e entidades similares não funcionam como internato, normalmente a responsabilidade é assumida pelos irmãos. "Com a morte de minha mãe, há seis anos, passei a cuidar do Luiz", diz a advogada Lorene Aparecida Silva, 40 anos. Ela mora em Ribeirão Preto, a 310 quilômetros de São Paulo, com o irmão Luiz Antonio Carlos da Silva, 61, que tem Down. Durante o dia, enquanto ela trabalha, Luiz permanece na Apae, onde pinta e monta mosaicos. Nos fins de semana, os dois aproveitam a piscina da casa ou saem para tomar sorvete.
Adultos com Down exigem cuidados especiais. Por exemplo, eles têm enorme dificuldade em lidar com situações novas. "Qualquer coisa que saia da rotina de um indivíduo com deficiência mental provoca grande ansiedade, que pode gerar conflitos", diz Silvia Longhitano, geneticista da Universidade Federal de São Paulo. A necessidade de exercícios físicos também é maior, devido à debilidade muscular. A ocorrência da doença de Alzheimer também se dá de forma precoce. O quadro degenerativo que leva a rompantes agressivos e perda progressiva de memória se manifesta a partir dos 40 anos em pessoas com Down, enquanto no restante da população ocorre após os 60. "Meu irmão sempre foi uma pessoa alegre e divertida, mas tem estado um pouco nervoso ultimamente", comenta Cândida Amaral Brito, 47 anos, que vive em Anápolis, Goiás. Filha caçula de uma família de treze irmãos, Cândida cuida do primogênito, Dilmar, que tem Down e 73 anos, e da mãe, de 92. Fã do Flamengo, em meados do ano passado Dilmar apresentou os primeiros sinais de Alzheimer. Com freqüência não reconhece os parentes. A debilidade física o obriga a usar uma bengala de apoio.
No Brasil, há poucos centros especializados no atendimento de idosos com Down. Em 1998, a Apae de São Paulo abriu o Centro Zequinha, onde idosos com deficiência mental podem passar o dia, fazer exercícios físicos e praticar jogos de atenção e memorização, uma forma de combater o Alzheimer. No condomínio Aldeia da Esperança, em Franco da Rocha, cidade da Grande São Paulo, 63 pessoas com deficiência mental moram em pequenos apartamentos, trabalham e são assistidas por fisioterapeutas, nutricionistas e médicos. Quatro dos moradores têm a síndrome de Down. David Maiberg Neto, de 59 anos, é um deles. Órfão de pai e filho de uma senhora de 97 anos, David tem uma vida bem integrada na Aldeia. Nos últimos anos, com a visão e a audição comprometidas, passou a contar com a ajuda da namorada, Sheila Falkas, 36, também moradora do condomínio. "Ela é tudo para mim e eu sou tudo para ela", diz David.
A Aldeia da Esperança não está ao alcance de qualquer cidadão. O custo inicial de ingresso equivale à compra de um pequeno apartamento e a mensalidade é de 3.500 reais. Por outro lado, 30% dos moradores não pagam nada. No momento, há uma fila de trinta candidatos à espera de uma dessas vagas gratuitas. "Infelizmente, nada foi feito pelo setor público. Tudo o que existe para o atendimento de idosos com Down é por iniciativa privada", diz Jô Clemente, da Apae. Esse é um assunto que os órgãos públicos não podem continuar a ignorar. Existe grande possibilidade de o número de pessoas com Down aumentar proporcionalmente em relação ao total da população, uma vez que as mulheres engravidam cada vez mais tarde. Entre as gestantes de 30 anos, a probabilidade de nascer uma criança com Down é de uma a cada 895 nascimentos. Aos 40, o risco sobe para uma a cada 97.
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domingo, 12 de outubro de 2008
Ciclo debate ações voltadas para a educação especial
A Comissão de Educação, Cultura e Esportes (Cece) da Câmara Municipal de Porto Alegre promoveu, na noite de quarta-feira (17/9), no Plenário Otávio Rocha, o Ciclo de Debates - Desafios do Processo de Inclusão Escolar: Assessorias. Coordenado pela presidente da Cece, Sofia Cavedon (PT), o evento reuniu representantes da Secretaria Municipal da Educação (Smed), diretores, professores, funcionários e familiares de alunos das escolas especiais.A professora Viviane Loss, da área de educação especial da Smed, disse que a equipe de assessoria está consolidada dentro da secretaria e tem construído suas políticas públicas em parceria com as escolas, os professores e parentes dos alunos. Viviane afirmou que a assessoria em educação especial precisa trabalhar articulada com outras secretarias do município para uma ação multidisciplinar. Também informou que a Smed está inaugurando vídeos institucionais que destacam a importância da inclusão de alunos especiais a partir de um atendimento de qualidade nas escolas.
A psicóloga Mara Lago, integrante da assessoria em educação especial da Smed, listou desafios a serem enfrentados pela secretaria. Segundo ela, as quatro escolas especiais da rede municipal não dão conta da grande demanda crescente. Mara também citou como meta o entrosamento de uma rede multidisciplinar, que envolve saúde, justiça, assistência social e famílias. Conforme a psicóloga, há dificuldade ainda na falta de acessibilidade em muitas escolas especiais e regulares, problema que depende de recursos. Outro desafio é o crescente número de casos de transtorno de conduta, que têm solicitado a intervenção dos especialistas das assessorias de educação especial. A assessoria da Smed nessa área, de acordo com Mara, dá-se, basicamente, pelo acompanhamento multidisciplinar e com a realização de reuniões mensais com professores, funcionários e familiares de alunos.A vice-diretora da Escola Estadual Especial Cristo Redentor, Carla Under, defendeu a existência das escolas especiais como fundamentais para a inclusão de crianças e adolescentes com necessidades especiais. "A escola especial é inclusiva", disse. Segundo ela, muitos alunos que estavam à margem da sociedade, em clínicas, sem escolaridade, têm a oportunidade de crescer em uma escola especial. Porém, ressaltou Carla, é preciso respeitar o direito das famílias de decidirem se querem matricular seus filhos em uma escola regular ou especial. "O importante é que os alunos se sintam acolhidos, com qualidade", disse. Carla lembrou que a escola especial do passado é muito diferente da atual, pois adota propostas pedagógicas que favorecem as trocas e a cooperação entre alunos e tem currículos adaptados.
Claudete Barcellos (reg. prof. 6481)
Fonte: site da Smed
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